Muito provavelmente você já ouviu de alguém (se é que já não disse também) a afirmação de que o ano começa depois do Carnaval. Ocorre que após as festas de final de ano às quais participamos, quer por apelos religiosos, sentimentais ou comerciais, tradicionalmente as famílias procuram conciliar férias escolares com algum período de descanso para todos. Nesta época muitos serviços públicos ficam com atendimentos reduzidos, empresas (cada vez mais) ajustam períodos de férias coletivas, o que faz com que alguns pedidos ou prestações de serviços sejam atendidos/entregues com alguma demora. É o momento para exercitarmos a paciência.
Mas chega a hora de voltar à realidade. No primeiro mês do ano podemos perceber que o trânsito de veículos das cidades é mais calmo e há mais vagas para estacionarmos, os dias – por conta da insolação – são mais longos e o clima de verão nos deixa com roupas mais leves. Mas, o Carnaval, cuja data definida pela Igreja Católica nunca é fixa, é um marco que já incorporamos para a retomada em nossa rotina. Porém, para algumas pessoas, existe um fator complicador na adaptação a este recomeço: a depressão pós férias. Já ouviu falar? Ela é objeto de estudo há mais de 50 anos, porém, nunca foi oficializada em manuais diagnósticos ou classificações como doença; a pessoa que sente este tipo de depressão descreve sintomas como ansiedade, irritabilidade, nostalgia, tristeza, dificuldades para dormir e sensação de mal-estar. É compreensível. Gastos extras comuns à época podem gerar preocupações, compromissos são retomados, surgem novas atividades, somos obrigados a ter um maior rigorismo em horários para dormir, acordar e para as refeições. Além disso, tende a ocorrer uma diminuição do tempo para descanso, para atividades físicas ou para o lazer, dando a sensação de que somente quando chegar o final de semana poderá ser um pouco diferente, o que torna os dias úteis um pesado fardo a ser carregado.
Mas como sempre digo, o trabalho nas sessões de psicoterapia que realizo, está focado ao autoconhecimento, e, à medida que nos aprofundamos nisto, nos tornamos mais fortes e donos de si. Então, aproveite o ritmo menos acelerado do início de ano e respire fundo para o Novo Ano adotando ou modificando alguns comportamentos; comece por ajustar-se aos novos horários, a manter suas atividades físicas e a hidratar-se, lembre-se que os primeiros meses do ano são de verão e uma hidratação adequada ajusta nossa fisiologia e nos oferece uma série de benefícios. Tenha em mente o hábito de organizar tarefas e horários, de lamentar-se menos e acreditar que tudo tem solução, afinal, diz a sabedoria popular que “o que não tem remédio, remediado está”. Converse mais, digite menos, levante a cabeça para além de um smartphone, o uso demasiado do celular (está comprovado) faz com que o peso da cabeça inclinada para a leitura ocasione dores cervicais, musculares e prejudique a postura. Ria mais, lembre-se de que o dia tem 24 horas e é assim para todos, e que algumas pessoas conseguem fazer coisas que tu queixa-se de não conseguir. Ajuste-se!
Obviamente que muitas pessoas permanecem trabalhando neste período, mas, mesmo assim, as mudanças que ocorrem no dia a dia e na vida de seus familiares ou amigos (alguns estão de férias e poderão estar indisponíveis) serão visíveis, o que deixa o início de ano com um ar diferente. Aproveite para pensar sobre novas atitudes, sempre há algo para mudar ou que queiramos acrescentar em nossas vidas, e, sabendo que o Carnaval irá chegar, não se deixe pegar por surpresa, prepare-se e tenha um ano de 2026 diferente, com muito entusiasmo, disposição e realizações. Há sempre muito mais a agradecer do que a reclamar. Quer um apoio profissional para começar o ano com o pé…. com o pé que quiser? Comece por priorizar-se, comece sua psicoterapia.
César Augusto – psicólogo
Texto publicado em fevereiro de 2026
